jusbrasil.com.br
20 de Setembro de 2019

Consequências da Síndrome de Alienação Parental (SAP)

Publicado por Fernanda Meirelles
há 5 anos

A síndrome de alienação parental compromete o livre desenvolvimento do ser humano. Por mais que, durante a vida, vários fatores psíquicos fragilizam a estrutura a mente, principalmente na fase de formação, no qual se cria a subjetividade pessoal. As crianças e adolescentes que sofrem de SAP apresentam prejuízo para desenvolver a própria personalidade, baixa autoestima, depressão, medo e transtorno de personalidade.

“O abuso sexual é uma vivência determinante, causadora de diversos fatores emocionais na estruturação da personalidade infantil. Os principais sintomas em crianças de zero a cinco anos são choro excessivo, irritabilidade extrema, volta a ter comportamento que já haviam sido superados, excessivo e repetitivo interesse em questões sexuais, alterações de sono e alimentação, medo e apego excessivo em quem confia. Já os sintomas de seis a doze anos estão relacionados a dificuldades de relacionamento com colegas, dificuldade e vergonha excessiva em falar de questões relacionadas ao corpo, comportamento sexualizado diante de adultos, agressividade e até mesmo alguns distúrbios alimentares como anorexia e bulimia. Já em adolescentes, os principais sintomas rondam a insegurança, timidez excessiva, baixa confiança e autoestima, uso de drogas e álcool, distúrbios do sono, dificuldades escolares e até mesmo contatos sexuais excessivos ou inadequados, chegando à possibilidade de suicídio. As consequências do abuso sexual e do falso são quase idênticas, o que deve tornar ainda maior o alerta dos profissionais, envolvidos para o diagnóstico. Entretanto, geralmente os sintomas em casos d falsas alegações aparecem menos intensas. Em situações reais de abuso há indicadores físicos, tais como lesões, infecções, que não podem ser confundidos pelos avaliadores como meras irritações corriqueiras, até transtornos de sono e alimentação, enquanto no abuso fictício não há. Porém, em ambos os abusos, real, ou imaginário há atraso escolares e consequências educacionais como notas baixas, agressividade com colegas, dificuldade de memória e concentração escolar. Outra diferença se dá na medida em que o menor foi abusado realmente sente mais vergonha ou culpa da situação, enquanto na falsa acusação isso aparece com muito menor incidência.” (CALÇADA, 2012)

Não só o alienado sofre as consequências, a vítima (genitor ou genitora) passam a se sentirem impotentes, inseguros, com raiva, destruturados emocionalmente e profissionalmente, pois passa a ter falta de concentração e baixo rendimento, possui um sentimento de injustiça. Quando há encontros do filho (alienado) e o genitor (vítima), este se utiliza o tempo para afastar as acusações, podendo utilizar do mesmo artificio do alienante para oprimí-lo. Porém, esta atitude incorre em erro, uma vez que o alienado passa a crer que o que o alienante fala, que aquilo seria realidade, pela agressividade comportamental ou verbal do vitimado. Além disso, pela dificuldade das visitas, pode ocorrer a desistência pelo vitimado de visitar o filho.

Para Stanley Clawar, Ph. D., C. C. S. And Brynne Rivlin, M. S. S. No livro de 1991 intitulado, Children Held Hostage (P. 105) declarou que:

“Os efeitos da síndrome perduram sobre a criança ou o adolescente, a perda da família intacta, do pai, causando estragos por um longo período da vida, tanto no presente como no futuro. Muitos adultos que foram vítimas de batalha de custódia foram tirados da guarda do pai, tendem a ter uma resistência a ser unidos com este. A perda não é desfeita, a infância não é recapturada. Perde-se para sempre o senso de história, intimidade, perde se o ganho de valores e moral, a autoconsciência, conhecimentos primordiais, o amor, o contato com a família, e mais. Praticamente nenhuma criança processa a capacidade de proteger-se contra uma perda tão indigna e total.” (GOTTLIEB, 2012)

Amy J. L. Baker em seu estudo de 2007 (Pp. 180-191), intitulado, Filhos Adultos de Síndrome de Alienação Parental, resumiu a pesquisa que ela fez em adultos e crianças vítimas de alienação da seguinte forma:

“65% dos participantes do estudo foram atingidas com baixa autoestima, 70% sofreram episódios de depressão devido à crença de não ser amado pelo pai-alvo e da separação prolongada de seus pais, 35% envolvidos em abuso de substâncias como um meio para mascarar seus sentimentos de dor e perda; 40% não tinham confiança em si mesmos, bem como em relacionamentos significativos, porque a confiança foi quebrada com os pais, 50% sofreram a repetição dolorosa da alienação, tornando-se alienado de seus próprios filhos.” (GOTTLIEB, 2012)

Raymond Havlicek, Ph. D., é um psicólogo forense e clínico, é especialista em reagrupamento familiar, o tratamento da violência doméstica, a validação por abuso sexual, e avaliação e tratamento da alienação parental declarou para o livro de Linda Kase-Gottlieb (P. 214) sobre a dinâmica da família de alienação:

"Não há dúvida de que o PAS [alienação] é uma forma de abuso infantil. É um show de horror. Os danos para as crianças são enormes. Quando uma criança perde um dos pais, eles estão matando uma parte de si, porque não há uma identidade entre a criança e ambos os pais. O resultado é que eles se tornem auto prejudiciais. Eu vejo todos os sinais de alerta e de todas as bandeiras do ódio a si mesmo: pesadelos, ansiedade, comportamentos de oposição na escola, presença de síndromes gastrointestinais, notas escolares falhando, mais suscetibilidade aos pares com comportamentos de oposição, delinquência juvenil, abuso de substâncias, depressão." (GOTTLIEB, 2012)

Barbara Burkhard, Ph. D., cofundador da Criança e Serviços Psicológicos Familiares, PC, Smithtown, New York em 1999, com Jayne Albertson -Kelly, Ph. D. Esta agencia é especializada em referências para validações de abuso sexual e alienação em divórcios, bem como referências para fornecer terapia para as crianças que são vítimas de crime de abuso sexual. Antes de fundar a esta agência, tanto o Dra. Burkhard e Dra. Kelly trabalharam para uma agência comunitária que tratava crianças abusadas e negligenciadas. A agência oferece terapia para crianças e famílias, informou na pesquisa realizada (P. 212):

"Essas crianças não seguem as regras, elas estão fora de controle; elas são basicamente impertinentes e faltam com os limites. Estas crianças se comportam como se elas têm licença para fazer o que quiserem. Ela pode começar uma discriminação e não irá responder a autoridade e não respeitará o outro progenitor. Nos casos de tratamento ou falha tribunal para reunir, temos visto a falta de respeito para com figuras de autoridade, incluindo o pai favorecedor (alienante), escola, e a lei. Entre os casos em que os esforços de reunificação falharam são crianças que abandonaram a escola, tornam-se viciadas em drogas, nasceram filhos fora do casamento viciado em drogas, e envolvidos em outros comportamentos antissociais. Isto não é um bom resultado." (GOTTLIEB, 2012)

Para fornecer uma imagem mais clara sobre como perturbada estas crianças tornam-se, Dra. Burkhard comparou com outro grupo de crianças a quem ela trata em uma base regular (crianças que sofreram crime):

"Esse outro grupo de crianças foram estupradas, queimadas, espancadas, abusadas sexualmente, e vítimas de crimes. Se eles estão nos jornais, as crianças tendem a acabar neste escritório porque somos especialistas em crianças traumatizadas. E, no entanto, eles não “seguram uma vela” em termos de sintomas e prognóstico para as crianças do PAS (síndrome de alienação parental). Crianças que sofrem PAS (síndrome de alienação parental) são uma bagunça.". (GOTTLIEB, 2012)

Dr. Burkhard continuou a expressar como crianças PAS (alienação) sofrem abuso emocional:

"A infância é um tempo para desenvolver um senso de responsabilidade. É um tempo para desenvolver uma consciência. As crianças que se tornam alienadas tem este aspecto fundamental do seu desenvolvimento descarrilhado. Elas não só não são responsabilizados por seus erros e crimes, eles podem ser encorajados a mentir ou exagerar a verdade e agir de maneira que são desrespeitosos com os outros. Estes comportamentos são reforçados por um pai de confiança que enfraquece ainda mais o desenvolvimento moral normal, assim como o desenvolvimento de sua capacidade de desenvolver relações normais.". (GOTTLIEB, 2012)

Linda Kase-Gottlieb, adotou essa opinião profissional em seu artigo, bem como no livro:

“Uma criança não pode se sentir adorável se percebe que um pai pode ter abandonado ela ou não ama ela. O resultado inevitável é que a criança vai procurar o amor em todos os lugares errados. O autoconceito de uma criança é que ela é constituída de ½ mãe e ½ pai. Se uma criança odeia um pai ou pensa mal de um pai, em seguida, a criança vai ter auto- ódio e baixa autoestima, o que, inevitavelmente, provoca mau comportamento. Porque a mentira, o engano, desrespeito e agressão foram normalizados para a criança, as crianças alienadas frequentemente não estão em conformidade com as normas e valores de seu ambiente cultural. Porque o julgamento da criança, a percepção, o teste de realidade, e superego (a consciência) por ter sido comprometida, a psicose pode ser um resultado. A situação de ser incapaz de ter um duplo vínculo, amar e ser amado por ambos os pais pode levar à psicose. O resíduo de ódio e raiva não é saudável em qualquer circunstância, muito menos para um pai. O processo de usar uma criança para atender as necessidades emocionais do genitor alienante e ordenar e fazer a criança temer o pai é o abuso em si. É uma reversão de uma hierarquia familiar saudável. A criança está continuamente operando sob uma nuvem de ansiedade, porque o medo de um deslize da língua e/ou comportamento irá revelar os verdadeiros sentimentos de amor da criança, a saudade para o genitor alienado. Isto irá inevitavelmente levar a consequências terríveis do genitor alienante. A criança sofre de depressão porque tem um pai separado de sua vida é uma perda, uma perda do tipo mais grave. Essas crianças muitas vezes sofre de culpa porque, em algum nível, eles reconhecem que eles têm maltratado um pai. E se esse pai não está mais disponível para um pedido de desculpas quando a criança está em uma posição para fornecê-lo, a culpa vai durar uma vida. O buraco emocional deixado na criança a partir da perda de um pai é geralmente preenchido com uma grande quantidade de negatividade, incluindo, mas não limitados a: distúrbios alimentares, corte, atividades criminosas, comportamentos antissociais e que atuam fora, desafio, desrespeito para toda a autoridade, distorção cognitiva, depressão, ansiedade, ataques de pânico, as relações de pares pobres, questões educacionais, abuso de drogas, e um mal-estar geral sobre a própria vida. Individualidade da criança é comprometida porque o genitor alienante não consegue reconhecer a criança como uma pessoa separada dela com diferentes necessidades, sentimentos e opiniões, particularmente para o outro progenitor. Em suma, uma criança não pode ser inteira, se um pai é expulso de sua vida!”. (GOTTLIEB, 2012)

As consequências da síndrome da alienação aparecerão futuramente, quando adolescente ou adulto, o alienado adquirir entendimento dos acontecimentos, passará a não respeitar o guardião, em razão do que sofreu, pois carrega remorso e culpa pela injustiça realizada com o genitor vítima. Esses sentimentos internalizados, se não trabalhados por psicólogos, podem levar a atitudes extremas como envolvimento com drogas, crises depressivas e suicídio. O maior problema ocorre quando o alienado não encontra o paradeiro do genitor (vitimado), não podendo realizar uma reversão do que sofreu e de seus sentimentos. Faz-se importante o reconhecimento dos atos alienatórios antes que a síndrome se fixe na criança ou no adolescente. Para isso, o Estado deveria promover estudo de soluções jurídicas mais profundas do que os direcionamentos da que já são utilizadas e dirigidas.

2 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

Adorei o artigo, muito esclarecedor, parabéns. continuar lendo

Não compreendo a razão pela qual a primeira referência faz menção à abuso sexual, quando o texto trata de PAS. continuar lendo